Minas Gerais • 7 min de leitura
Dois mundos, um menino: a infância que formou o candidato
João Pedro cresceu vendo dois universos paralelos. Um sem reboco nas paredes. Outro com piscina e motorista. Ele nunca parou de pensar no porquê disso.
Por João Pedro Reis • 18 de junho de 2026
João Pedro nasceu na Rua do Triunfo, um beco sem saída no Bairro Lagoa, em Venda Nova. Casa sem reboco, chão sem cerâmica, o plástico do saco de arroz protegendo o caderno da chuva.
As tias dele eram empregadas domésticas em casas tradicionais de Belo Horizonte e o levavam junto. Ali ele via o outro mundo: mansões, piscina, motorista, dez carros na garagem, gente discutindo arte, ciência e política sem nunca precisar pensar no que comer.
Ele não guardou revolta daquilo. Guardou uma pergunta: por que uns têm tanto e outros tão pouco? E existe uma forma de equilibrar isso sem tirar de ninguém, fazendo quem tem menos ganhar mais, com menos esforço?
Essa pergunta virou método. No Projeto Cidadania, a equipe levou atendimento jurídico, médico e psicológico gratuito a escolas públicas da região metropolitana. Foram mais de 3.000 pessoas atendidas em cerca de dois anos.
Não é caridade. É a convicção de que o trabalho deveria servir para viver, e não apenas para sobreviver. Toda a trajetória dele vem daí.
